Isabelle Ludovico e suas distorções em favor do feminismo

Parte do subtítulo desse artigo é uma expressão usual, sobretudo, entre os mais velhos: “O mundo está de pernas para o ar”.

Quem não ouviu os avôs ou mesmo um parente, vizinho ou amigo de mais idade pronunciá-la?Usam-na para referir-se às transformações sociais, comportamentais e culturais que distanciam as épocas; o tom em regra é pejorativo, evoca que a mudança não foi positiva, semelhante a “de ponta a cabeça”.

Entretanto, os câmbios socioculturais têm sido tão céleres que mesmo os mais jovens passaram a fazer uso de tal oração para classificar o relativismo social e mesmo de valores religiosos que nos são impostos principalmente por ativismos em defesa de minorias, novas teses acadêmicas e pela grande mídia.

Há alguns meses adentrei uma livraria cristã e logo fui seduzida pela capa de um livro de Isabelle Ludovico, o seu título atraiu-me: O Resgate do Feminino.

Julguei que abordaria a postura da mulher segundo a vontade de Deus, assim fosse, seria uma boa leitura às mulheres cristãs em meio às “pernas para o ar” que o movimento feminista impôs à sociedade.

Pensei ser esse um bom método para resgatar o feminino ao seu plano original, aquele estabelecido por Deus desde a criação.

Enganei-me.

Em curtas palavras encontrei um texto que apresenta através de eufemismos algumas teorias já expostas por Simone de Beauvoir, Judith Butler e tantas outras feministas.

O resgate do feminino (Reprodução)Ludovico busca sutilmente ajustar à Palavra de Deus as teorias contrárias ao próprio cristianismo, exclui as bandeiras que expressamente são consideradas pecado nas Santas Escrituras, como o lesbianismo e o aborto, as quais não encontrariam aceitação dentro das sérias comunidades religiosas e abraça-se aos pontos mais subjetivos, de fácil confusão e aceitação: a função das mulheres e dos homens segundo o padrão preestabelecido pelo Criador.

Para isso a autora não se nega ao apelo sentimental de importância e reconhecimento da mulher por si mesma e pela sociedade.

Num trecho ela audaciosamente faz críticas a um poema de Victor Hugo, desconsiderando completamente a escola literária a qual o autor está inserido; anacronicamente a escritora lança-se ao papel de crítica literária, usa-se da visão atual do movimento feminista para analisar o poema de séculos passados.

Em diversas passagens a autora expressa claramente que os papéis dos homens e das mulheres são meras construções sociais, nisso assemelha-se as teses de Judith Butler que faz clara e insana distinção entre sexo e gênero, no qual o sexo é atrelado à anatomia, diz respeito ao órgão genital que se possui; mas o gênero é uma construção social, é a forma como cada indivíduo contempla-se.

Essa teoria cria um emaranhado de possibilidades que até o momento resume-se em mais de cinquenta gêneros, todavia, a ciência, o bom senso e a Bíblia veem unicamente duas possibilidades: macho ou fêmea.

Sobre isso, Ludovico diz não haver sexo neutro, mas apega-se a parte da teoria e exclui, assim, os desígnios de Deus.

A formação cultural diz muito sobre cada indivíduo, isso é inegável, porém, nossa sociedade, assim como a maioria das sociedades ocidentais, estabeleceram perfis de condutas segundo os mandamentos expressos de nosso Deus; as que professam outras religiões ou não professam fé o fizeram instintivamente e as que não possuíam papéis sociais devidamente estabelecidos ruíram rapidamente.

Ludovico parece querer extinguir essa divisão de papéis sociais.

O livro segue-se em verdadeiros contrassensos, ao passo que a autora descreve que há características predominantemente femininas e outras masculinas, também corrobora com as teses de Paule Salomon, uma terapeuta de família e professora de filosofia, que defende em seu livro La sainte folie du couple que nosso psiquismo é bissexual.

Nossas distinções dar-se-iam unicamente no aspecto anatômico, porém não emocional, e que a predominância de determinados aspectos seria decorrente meramente das imposições machistas e sexistas de cada sociedade.

No entanto, a escritora também vê a mulher como instrumento de manutenção do machismo, uma vez que é ela quem educa o filho homem e dá continuidade a “opressão” praticada pelos homens contra as mulheres.

É nítido o inconformismo da autora, ela não aceita o papel de auxiliar que a mulher possui frente ao homem, de estar sob uma missão, de ser o homem o cabeça da casa, assim como Cristo o é da igreja.

A autora comunga das concepções feministas nas quais se vislumbra as atividades do lar e os cuidados com as crianças como inferiores ao provento, a manutenção das despesas.

Recai às mazelas feministas que invejam o homem, desqualificam as funções e atributos típicos da personalidade feminina.

Embora desenhe críticas, as defesas da autora reforçam o estereótipo de mulheres masculinizadas que negam a sua sensibilidade, afetividade e doçura.

No livro verificam-se a descontextualização de passagens bíblicas que instituem o papel feminino, estes versículos são atribuídos a más interpretações ou pareceres exclusivos de seus autores.

Como se a Bíblia não fosse completamente inspirada e apta ao ensino e a exortação.

O Resgate do Feminino apresenta-se como uma versão gospel do estimulo à feminilização do homem, uma forma disfarçada de defender as teorias da ideologia de gênero ou as demais bandeiras do movimento feminista.

Resgatar o feminino nos homens, nas palavras da autora, “permite que o “verdadeiro homem”, ou machão, seja substituído pelo “homem de verdade”, ou real, um homem que “se permite ser também frágil, sensível, carente inseguro, ambíguo”.

Alguns questionamentos surgem: este homem estaria bem consigo mesmo? E a mulher que se relacionasse com ele, se sentiria segura ao lado de um homem tão instável? Utilizando outro jargão popular: é uma tentativa de agradar a gregos e troianos, a autora não abdica de seus relativismos filosóficos apreendidos na academia, pois quer fazer parte desse hall de intelectuais, mas agrega isso aos ensinamentos bíblicos, distorcendo-os.

O livro expõe verdades mescladas às mentiras ideológicas avessas à cultura judaico-cristã e este é um grande perigo.

É importante estar atento a falsos mestres.

Não se pode negar que há diferenças entre homens e mulheres, saliente-se que essas distinções não tornam um superior ao outro, somos iguais diante da Deus, não haverá acepção quanto à salvação, ou mesmo quanto o cumprimento do ide, no entanto, Deus em sua sapiência extraordinária gerou-nos para si com atributos distintos, contudo não se estabelece com grau de importância desnivelado.

Anatomia, biologia, psique, emoção, comportamento, enfim, são muitas as diferenciações, mas assim nos completamos, sim homem e mulher se completam, o casamento é uma analogia a relação entre Cristo, o noivo, e sua esposa, a igreja.

A família é a instituição mais antiga e foi criada pelo próprio Deus, a união entre o homem e a mulher é plano de Deus.

Os tempos são maus, o mundo está de “pernas para o ar”, e esse mau tenta infiltrar-se até mesmo nas igrejas.

Devemos agarrar-nos à Palavra viva que guia-nos no caminho segundo a vontade e os fundamentos de Deus.

Entender o papel que nós mulheres exercemos não é nos inferiorizarmos, por contrário, é descansar sob as mãos do Deus onipotente, que nos tem como a menina de seus olhos, que nos fará repousar seguras e cumprirá através de nós seus planos para cuidar de nossos filhos, maridos e sociedade.

Louvado seja o Senhor eternamente.

Categoria:Opinião